quarta-feira, 16 de novembro de 2011

inconstância, a regra geral

e são tantas horas
tantos dias e momentos
que por simples esquecimentos
nós deixamos de contar

e no piscar de olhos
de uma distração qualquer
já se passou tempo suficiente
pra se esquecer do que é

porque o que é é
o que já foi não é mais
o que será não existe
e saber disso não me traz nenhuma paz

o tempo corre fugindo
agente no encalço, perdido
sem saber em qual quebrada
ele vai curvar

porque o tempo faz curva também
e a linha reta que agrada ninguém
só existe
na folha do caderno

então por favor não chora meu bem
o que é está sempre não sendo mais
e a inconstância
é a regra geral

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

"Ninguém Está Acima da Lei" ou "Petróleo e Maconha, o que te envergonha (mais)?"


Todos acompanharam nos últimos dias a polêmica envolvendo a ocupação da Universidade de São Paulo.

Maconheiros, filinhos de papai, meninos mimados lutando pelo direito libertinário de usar drogas. 

Nos moldes das tias que nos deram aula na quarta série, repetia-se nos telejornais a cantilena “não confundam liberdade com libertinagem!”.

A veja se apressou em colar todos os estigmas acima aos ocupantes da reitoria da universidade.
Deslegitimando-os.

Todos jornais mostraram a cara deslavada do Alckmin “Esse alunos da USP precisam de uma aula de democracia!”

Engraçado Geraldo “Prefeito da ARENA aos 22 anos” Alckmin vir falar de democracia.

Seu antecessor e padrinho político, José Serra, usufruindo da prerrogativa autoritária que concede ao governador o privilégio de nomear o reitor da universidade, o exerceu de maneira totalmente autoritária, nomeando o SEGUNDO COLOCADO NA ELEIÇÃO REALIZADA NA UNIVERSIDADE. Não se trata de um reitor. Se trata de um interventor.

Como bem diz Ana Paula Salviatti, publicado no sítio Outras Palavras:
“Ainda durante a gestão do então Governador José Serra, Grandino Rodas foi escolhido Reitor da USP através de decreto de 13/11/2009. Seu nome era a segunda opção de uma lista de três indicações. Remonta a história que a última vez que um Governador se utilizou de tal dispositivo criado no período militar–presente na legislação do Estado de São Paulo até hoje– foi durante o Governador Biônico, Paulo Maluf que indicou Miguel Reale para reitoria da Usp entre os anos de 1969 e 1973.”

E vem falar em Democracia? Menas, por favor...

Não sejamos ingênuos a ponto de ignorar o rumo nítido que boa parte do jornalismo escolheu no Brasil. 

Matérias rasas, eivadas de preconceitos e sarcasmos, parecem ser os únicos exercícios possíveis nas redações onde os empregados estendem aos patrões a profissão que os deveria separá-los: jornalistas. Tsc

E na pira rasa do jornalismo tacanho, ao qual parecem estar reféns todos brasileiros que assistem telejornais ou lêem o jornal diário, queimam três estudantes da Usp, um baseado, uma platéia amorfa de “filhinhos de papai” que aplaudem o espetáculo quando os palhaços saem das suas viaturas para “manterem a lei no campus”.

Ninguém lá tá pensando nada. É todo mundo burro. Esperto é você que vê globo e lê veja e tá bem informado. Aham Cláudia, senta lá.

Enquanto isso, no mundo real, o reitor nomeado autoritariamente pelo PSDB paulista – desrespeitando a consulta democrática na universidade – apronta “mil e umas aventuras da pesada”!

Dá pra ficar surpreso que nada disso tenha saído no jornal? 

(Assim como as denúncias de superfaturamento de obras em outras universidades federais pelo país, ou do envolvimento das fundações de apoio à pesquisa em esquemões de lavagem de dinheiro. agente tem disso aqui no nosso quintal. muito.)

Não é de se espantar. Afinal de contas, fumar um baseado ofende muito mais a moral da gente que passar por cima de certos detalhes democráticos, como uma eleição.  

A moral de certo tipo de gente. No qual os jornalistas, infelizmente, parecem gostar de se incluir.

Quando Geraldo Alckmin diz, sobre o assunto, que “ninguém está acima da lei” o que ele diz, na verdade, é simples. Acima da Lei, só quem é “Alguém”. Cidadãos comuns, não.

Quer ver só? Se liga:

Vamos falar de um reino, em um lugar tão, tão distante, chamado Espírito Santo.

Por oito anos a gestão pública do Estado foi bancada às custas dos royalties do petróleo, muito bem negociados pelo governador recém eleito em 2003, Paulo Hartung.

A despeito da obrigatoriedade de gasto dos recursos em determinadas áreas, numa jogada de mestre, PH recebe do governo federal a benesse do “adiantamento dos royalties”. Com a grana, bota as contas da casa em dia, diante do tão lapidado patrimônio público capixaba. O governo tucano de José Ignácio havia terminado da forma trágica que todos se lembram, com o testa de ferro do então PFL José Carlos Gratz sendo cassado e as porra... Feio né?

Pois bem, oito anos de torneira aberta e a grana dos royalties entrando, estado crescendo, geral se dando bem.

Se dando bem? Bom, mais ou menos...

Os dados de desenvolvimento humano do Espírito Santo são vergonhosos.

Mesmo com oito anos de royalties somos forçados a reconhecer que, se não fosse o bolsa família, boa parte dos indicadores ou não teria subido, ou teriam decrescido. A despeito dos grandes negócios do Estado só terem registrado recordes: Vale do Rio Doce, Arcelor Mittal, Aracruz Celulose (que depois de perder 4bi num jogo de poker se fundiu com a Votorantin na Fibria)...

Hoje em dia, aproximadamente um quarto dos capixabas recebe o Bolsa Família. É de dar vergonha.

Dos municípios que mais recebem royalties do petróleo no Estado, 3 já tiveram os prefeitos afastados por denúncias de corrupção. Sâo eles Linhares, Aracruz e Presidente Kennedy. 

Curiosamente, pra esses municípios estão previstos novos grandes projetos, numa reedição tosca do Plano Nacional de Desenvolvimento, iniciativa da ditadura militar, que trouxe nas décadas de 60 e 70 as grandes indústrias para o Estado. Não estou querendo insinuar nada...

Estou afirmando que os dinheiros dos royalties tem sido peça fundamental para a corrupção envolvendo a vinda desses grandes projetos (a maioria estrangeira) para o espírito santo. 


Com um arranjo muito bem feito, acrescentando duas pitadas de “sinergia” à receita do “novo espírito santo”, PH fez foi adicionar um terno de corte italiano aos capotes dos jagunços da política capixaba. Compuseram o seu governo as mesmas raposas velhas de sempre, Elcio Alvares e Sergio Aboudib, do ARENA-PFL-DEM, por exemplo.
   
Indo além, os mesmos “players” do jogo do desenvolvimento na ditadura militar voltam ao jogo. Ex-governadores, Ex-presidentes de grandes empresas, a máfia da exportação fundapiana, o judiciário capixaba que todos conhecem bem... Espalhando seu Know-how. Mesmo PH pode receber deles uma ou outra dica sobre investimentos. Imobiliários. ;)

E ao governador biônico recém convertido à democracia a presidência da assembléia lhe coube como prêmio, entregue pelo próprio governador. Assim como o ilibado ex prefeito de Linhares, cidade que recebe vultuosos recursos dos royalties e que foi cassado justamente por desviar dinheiro da prefeitura pra botar no seu negócio particular, uma empresa de educação na cidade citada.

Um, lacaio da ditadura. Outro, dilapidador do patrimônio público. Ambos incensados pela mídiazinha local, e pela meia dúzia que espera ser convidada para os rega-bofes do poder. Como os filhinhos dos escravos na casa grande, ali, à beira da mesa como cachorros esperando um ossinho pelo qual brigar. Vão crescer pra ser os novos capitães do mato.

E essa mesma midiazinha – que sobrevive de propaganda oficial – agora tá aí, mandando você, capixaba, ir às ruas se manifestar pelo dinheiro dos royalites. Dinheiro esse que te pertence, capixaba, mas que nunca te perguntaram onde gastar.

Sabe o que eles tão querendo, na verdade? Que você defenda o dinheiro que eles tem sistematicamente roubado do seu bolso, cidadão.

Eu, particularmente, entendo o desespero do Casagrande.

Que não teve nem a coragem de dizer quanto o governo tem em caixa a essa altura do campeonato, finalzinho do primeiro ano de mandato. Foi discutir o orçamento na Assembléia Legislativa e não disse quanto PH deixou em caixa. 

O que agente sabe é que, de vento em popa, o ex governador se deu até ao luxo de NÃO COBRAR IMPOSTOS DESSAS EMPRESAS ESTRANGEIRAS que já produzem ou que querem se instalar aqui no estado. 

Aí é fácil, né malandro: o Zé da Quitanda tem que pagar mil impostos, e o Mr. John paga nada. Zero. 

Cortesia, feita com o seu dinheiro, capixaba.

Sobre isso, transparência nenhuma, nem a (vendida) capixaba, nem de lugar nenhum falou. Nenhuma nota nos jornais.  A coisa deve estar feia mesmo.

E você, capixaba, não sabe de nada.
Porque não saiu no jornal, não tem?

Saiu no jornal que um monte de maconheiro brigou com a polícia pra fumar maconha em paz lá “im sumpaulu”.

Até que seria uma boa notícia, essa.
Se fosse essa a notícia, não tem?


E hoje tem dudu nobre e gabriel o pensador, na luta pelos royalties na praça do papa. ¬¬

Abre o olho, capixaba, que tão tentando te passar pra trás...

(caso fôssemos mais práticos, e menos moralistas, aprendíamos algo com os maconheiros que tão salvando a economia da califórnia, nos estados unidos. até porque uma dose de "salvação" vai cair bem pro estado que outrora dependia da união, alcançou relativa independência, e agora não quer bancar esses "macaquitos" "se dando bem às nossas custas" "roubando o dinheiro que é nosso" pera lá, negão, nosso? rs)






quinta-feira, 3 de novembro de 2011

vai e vem

enquanto o sol arma sua guerra
contra o inverno que não arreda
um pé do nosso céu

aqui na terra todo mundo
assiste embasbacado
o cinza cobrir o azul

e nem lá nem cá
verão querendo chegar
inverno que não quer ir

enquanto medem forças

um ou outro dia salva
o sol amarelo pra esquentar

as almas de quem espera
que não demore o dia
do verão chegar

vai embora inverno
você não quero mais

chega logo verão
com o calor que você traz

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Sobre Retas, Curvas e Outras Preocupações Capixabas



Muita polêmica foi criada em torno da curva na Reta da Penha:


Para atender à demanda viária a ser criada pela nova sede da Petrobras, estupidamente enfiada em uma das vias mais problemáticas da capital. Todo mundo já andou na reta da penha nos horários nobres do engarrafamento: de seis e meia às oito, de onze e meia à uma hora da tarde, de cinco às sete... Enfim. só não deve atravessar em horário de pico a reta da penha o desinfeliz que deixou ela se instalar bem ali. (E agente sabe muito bem de quem se trata.)


Não que o capixaba não esteja acostumado a se submeter à lógica das grandes empresas. Ah, agente sabe sim, e muito bem. A degradação sócioambiental continua covardemente, seja no norte seja no sul capixaba. O que estão fazendo com o nosso litoral é de dar vergonha.


Mas, nesse ínterim nos damos ao luxo de reclamar que com a curva perdemos o grande patrimônio cultural capixaba - herença do novo arrabalde a linha reta que corta a ilha - a vista pro convento da penha. Ah, tão católico... Nada como sofrer debaixo do sol quente olhando pra um convento no alto de um morro.


Grande preocupação vã. Tem coisa muito mais importante acontecendo, coisa muito mais grave rolando por debaixo (às vezes nem tão por baixo assim) dos panos e ninguém fica indignado como fica quando vê, estampada em qualquer matéria nos jornalecos capixabas, uma curva no meio da reta da penha. "Ó, que sacrilégio, a reta da Penha!"

Diz o Ministério Público que vai intervir... Na moral mesmo? Tem coisa muito mais importante pro ministério público fazer nesse estado!


Vamos citar um exemplo, um exemplinho simples só, pra ninguém desanimar de ser capixaba. Pq se for pra falar tudo, a saída agente já conhece. Corram para as montanhas, que aqui embaixo já deu tudo errado. Se liga no drama:


O Ex-Governador PH compra um apê que é declarado em R$48.000,00. Até aí tudo bem, é mais ou menos o preço que o capixaba comum pagaria num imóvel de segunda mão, ou quem sabe no planinho mais barato do programa "minha casa, minha dívida". Só chama atenção o fato do imóvel ser localizado no Barro Vermelho, área nobre da capital. Deve ser algum programa novo tipo "minha casa, minha mãe querida". Imóvel da Galwan.


Aí olha só que engraçado: (muito engraçado mesmo! surpreendente!)


No mesmíssimo dia, a empresária Maria Alice Paoliello Lindenberg e a empresa Lazer Administração e Participações (empresa de Victor Affonso Biasutti Pignaton) compram o apartamento, dividindo o custo meio a meio. Daria R$24.000,00 pra cada um, correto? Errado! Cada um dos dois deposito na conta do ex-governador Paulo Hartung a bagatela de R$ 1050000,00. Assutou com a quantidade de zeros? Por escrito é UM MILHÃO E CINQUENTA MIL VERDINHAS, LEKE!


hehehehe


eu morro e não vejo de tudo! rs


Aí voltemos: curva na reta da penha, certo? Que feio! Feio??


Feio é o judiciário capixaba, que ontem ainda teve seu presidente cassado - não por seus pares capixabas, mas por uma investigação federal - por venda de sentenças, fraudes em concursos (outra especialidade capixaba) e nepotismo. Enfim né, o TJ-ES era administrado como a quitanda do zé, aqui na esquina. Um negócio de família. (óóóó! façam cara de chocados, ninguém sabia) Vocês ainda lembram da operação Naufrágio, não lembram capixabas?


vamos agora fazer uma citação, ipsis litteris (é eu também falo difícil quando eu quero) da matéria original, publicada no www.seculodiario.com.br (citando a fonte tá liga copiar. sempre citando a fonte hein galera)


"Galwan: balcão de negócios com autoridades


Tal condição privilegiada também foi oferecida pela Galwan a desembargadores – sempre da cúpula do Tribunal de Justiça – e a membros do Ministério Público Estadual (MPES). Entre os anos de 2003 e 2006, a construtora negociou imóveis de alto padrão, como nos casos dos ex-presidentes do TJ Adalto Dias Tristão e Jorge Góes Coutinho. Além do atual procurador-geral de Justiça, Fernando Zardini. Nos negócios, a diferença entre o preço de mercado e os valores declarados na escritura chega a quase dez vezes.




Além disso, os filhos do desembargador Adalto Tristão também apareceram como sócios da construtora na aquisição de terrenos na praia de Itaparica, em Vila Velha, em um total de 6.790,05 m² de área.




Antes da relação com o Judiciário e o governo Paulo Hartung, a construtora Galwan sequer era situada entre as principais empresas do segmento no Espírito Santo. Fundada no ano de 1981, a Galwan inaugurou, ao todo, 15 empreendimento até o ano de 2002 – de acordo com dados sobre obras no site da própria empresa. Em geral, apartamentos de padrão médio, bem distante dos atuais imóveis de luxo.




A chegada de Hartung ao palácio Anchieta coincide com o período de expansão da Galwan. Desde então, a empresa de propriedade de José Luiz Galvêas Loureiro inaugurou 25 obras no espaço de nove anos. O que a levou a expandir seus negócios para além da Praia da Costa – onde havia inaugurado onze dos 15 empreendimentos antes da Era Hartung."


E porque eu tô falando de judiciário capixaba, mais uma vez, denovo? Simples. Porque o cara que comprou o imóvel do casal citado lá em cima (voltaremos a eles daqui há pouco) era um - veja só que coincidência - juíz capixaba! (esses aí tão bons é pra apitar jogo do botafogo, eternamente garfado pela arbitragem.) Na matéria tem lá o nome dele.


Aí olha só que legal: ph compra um apê baratinho, vende por 40x do preço pra uns conhecidos que revendem pra outro "amigo". caso típico né? queria ser amigo do dono da Galwan também, pra ver se ele não me vende umas coisas baratas assim... agora vamos fazer um raio x dese círculo de amizade:


PH - ex governador. famoso como gerente da "nova classe política capixaba" que "saneou o estado" tanto "ética quanto financeiramente" cof cof


*convém lembrar que até hoje o atual governo não informou quando PH deixou no caixa do governo do estado.


Maria Alice Paoliello Lindenberg - Diretora de Relações Institucionais da Rede Gazeta (#gazetamentirosa?) empresa sócia do ES em Ação


Victor Affonso Biasutti Pignaton - Dono do Leonardo da Vinci. colégio tradicional "dazelite" capixaba.


Adriano Correa - Juiz que efetuou a compra final do famigerado imóvel. famoso por cassar desafetos manifestos do governador tanto quanto por auxiliar os mais próximos. também sensível à condição política econômica capixaba afinal, se não importarmos "taxes free" livres de impostos, por onde vão entrar os produtos gringos pra competir com a indústria nacional? e viva o fundap! E se não reservamos aos grandes empreendimentos terrenos pra sua instalação, vai viver de que o capixaba? (aonde, perceba, tanto faz)


Agora vamos fazer uma análise bem rasa, que esse texto já tá bem longo: Ora, taí explícito o "arranjo institucional" que tá fundando o "novo espírito santo" (esses dias A Tribuna falava da "Geração Petróleo". acho que é a nossa tá?).


Uma "nova" elite política, muito bem representada pela figura do ex-governador. Um arranjo empresarial - uma empresa de construção civil, o colégio da elite capixaba e a empresa de mídia que faz mais sucesso no ES. Um juiz amigo.


É disso que você precisa pra se dar bem aqui na terrinha. Se não tem essas cartas nego, vá curtir um engarrafamento na reta da penha. com curva ou sem curva. faz diferença? pra mim faz não.


Não tem esse esquemão milionário descrito aí em cima? pergunta se saiu uma linha nA Gazeta, nA Tribuna, na Rede Vitória ou na Tv Capixaba. Não saiu. Mas a Gazeta deu sua resposta rápida à curva na reta da penha: um elogio ao des-envolvimento capixaba, falando da súbita valorização dos imóveis na avenida, perto da sede da empresa, no Barro Vermelho. Quem sabe muito bem disso é a Diretora de Relações Internacionais da Empresa Maria Alice Paoliello Lindenberg. Coitada, pagou caro num imóvel que valorizou mais de quarenta vezes numa tarde...


Mas pera lá, qual a confiabilidade dessas empresas de comunicação? Que são sócias de tantas outras no consórcio ES em AÇÃO que veja só - já planejou como vai ser o seu futuro, capixaba, até 2025. Você deu sua opinião? Eu não lembro de ter sido consultado.


Mas mesmo assim eles tem um plano. que vem sendo executado e, se correr tudo como planejado garante os pedaços maiores do bolo pra quem sempre comeu a maior fatia aqui no Estado do espírito santo. Por isso que eles se juntam. Para defender seus interesses.


- Não, não os seus, você capixaba que tá lendo. Os interesses deles mesmos!


Aí qualquer aspecto negativo dos projetos da elite dirigente do "novo espírito santo" não vira notícia. Qualquer indício de corrupção "dos brothers" que dirigem esse projeto - nas suas costas, capixaba - não vira notícia. Todos os esquemas que todos capixabas sabem que existem, não vira notícia. E a notícia importante é a inofensiva "curva na reta da penha".

Na moral? Foda-se curva na reta da penha!


Tô me sentindo numa cidadezinha dessas de uma igreja, uma praça, uma rua... Lendo um jornalzinho desses de duas páginas! rs


o capixaba é o da direita
E o pior é que a galera come bola, sabe que tá errado, mas fecha mesmo assim.


Transforma necessidade em vontade, incorporando a mesma moral que A Gazeta e A Tribuna dizem que é a correta, a despeito do que agente aprende - seja na escola seja em casa com os mais velhos, seja na nossa vivência.


E vamos seguindo, de marionete na mão dos outros: ralando horrores pra garantir uma vaguinha - seja na petrobrás, seja na vale-arcelor-samarco - pra seguir poluindo o ar que respiramos e que vamos condenar nossos filhos e netos a respirar.


Na vã esperança de naqueles horários - sete da manhã, meio dia, cinco e meia da tarde - poder encarar o engarrafamento na reta da penha - com curva ou sem curva - sozinhos, confortáveis, no ar condicionado dentro de uma bolha chamada automóvel (financiado a perder de vista).


Afinal, só se dá bem quem joga de acordo com as regras do jogo, né?


Pra terminar, um som bom e afiado: 


"Essa espuma sobre a praia
É um dente de ocidente
É um dente, um osso, um dente
Vomitado pelo mar


Vem em ondas poluídas
Vem em nome da moral
Vem na crista dessa onda
A cultura Ocidental

E a espuma branca se lança
Na força da preamar
Em ondas-curtas, notícias
Na hora do meu jantar 

Vem nos mistérios da noite
Na clarescência do dia
Nos anúncios luminosos
No vestido de Mari"



diz aí? tá satisfeito? porque andam dizendo por aí que você tá sim...

domingo, 9 de outubro de 2011

caian

E viu brilhar dourado, no meio do entulho entre as fundações da casa.

Só o que sobrara era a pedra coberta de musgo, o mato crescendo onde outrora haviam cômodos, aquela terra preta característica. No chão o contorno bem definido das paredes externas, as divisões dos cômodos. Como canteiros de um jardim, onde só se via as folhagens de um mato rasteiro não identificado, por entre restos de construção abandonados ao tempo. Havia chovido muito na véspera. Quase desistira do passeio. Insistiu. Acertou a boa, fez sol. Fez a trilha. Viu a ruína, lavada pela tempestade - a pior das últimas décadas, é o que diziam na vila. E viu brilhar dourado entre os restos da casa - habitação típica da região, colonização alemã, final do século XIX. É o que dizia o panfleto que arrumara, com o mapa das trilhas...

De começo nem cogitou a idéia. Mas quando seus tios insistiram para que usasse o cupom que haviam ganho valendo um feriado no interior, caian se viu aceitando e procurando informações sobre o lugar. cachoeiras, trilha, tinha tudo. Confirmou. Só não contava com a chuva que resolvera cair dois dias antes da viagem. Rios cheios, pontes derrubadas, barreiras caídas. Seus tios ligaram preocupados "vai não caian.", "dá nada não tia!". E foi. Seguro até.

Chovera forte terça, quarta e quinta. Sexta feira o céu amanheceu cinza. Vento parado, nuvens se espalhando. Por volta das quatro da tarde, o nordeste traz uma leve brisa pra tocar o rosto de caian, quando ele atende o telefone. A tia, o pedido, a negativa. O sol encontra uma passagem - primeiro por entre as nuvens, depois por entre os prédios do centro de vitória - e pinta de amarelo o rosto moreno de caian. "fica tranquila tia, o tempo vai firmar, vai dar tudo certo" "vai com deus, meu sobrinho".

Pagando a última conta, quase último cliente a sair do banco na sexta feira. Trânsito engarrafado, fumaça, buzinas... Um milhão de gentes na rua, andando apressado, engarrafando a calçada. "Tranquilo, hoje à noite eu durmo na roça, com barulho de bicho".

"Nem achei que viesse mais! Pode entrar e fica à vontade meu filho, tem um quarto ali em cima pra você" Disse a senhora simpática ao recebê-lo na pousada. Deveras aconchegante. Teto baixo, piso de madeira, e o cheiro tão familiar de um fogão a lenha aceso. "Se quiser ir tomando um banho, a janta já tá quase pronta!"

Banho tomado e agasalhado - fazia frio mas caian vira estrelas no céu, da janela do quarto - desceu pra jantar. Caldo verde... E dois dedinhos de prosa intrigantes com o casal de idade que administrava a pousada "mais uma sobrinha que não gosta mto do trabalho mas já viu né, filho cresce quer ganhar o mundo, deixa nós na mão dos outro". Falaram da região, que já teve seus dias de glória. Café, gado, cacau. "até o trem passava aqui!". Agora só a floresta jovem vicejando, pós falências. De uma hora pra outra, nem uma hortinha mais se fazia. Velha história, depois do café, depois do pasto, o que não virou voçoroca vale mais virando floresta denovo. "é, meu filho, turista dá menos trabalho que qualquer criação."

E subiu pra dormir com a barriga cheia, o pensamento lento, e vários panfletos na mão com roteiros que incluíam cachoeiras, fazendas de ecoturismo, alambiques... Caian dorme decidido a fazer o que lhe aconselhara o velho casal: "sobe aí por cima ó, que vc encontra a estrada antiga. ninguém usa mais não mas ainda dá pra seguir. e vai andando, que passa pelo rio, umas casas antigas, a mata já tá mais crescida em volta, ela vai por um vale por cima desse que vai a estrada nova..."

Levanta cedo, sente frio, mas a luz lá fora confirma o que já sabia. Sol. Entre nuvens, mas sol. O orvalho ainda brilhando nas folhas e flores, os passarinhos em algazarra saudando o dia e o inconfundível cheiro do fogão a lenha. Já aceso. "hmm, cheiro de café"

Café, broa de milho, mentira, cuscuz, bolo de aipim, mamão, banana, jambo, suco de laranja, queijo, requeijão, tudo já em cima da mesa. E uma linda caboquinha preparando a mesa "sou fulana sobrinha dos fulano" "bom dia fulana" "bom dia moço".

Come pouco, até meio triste por ter de escolher em tanta fartura. Guarda umas bananas na mochila, enche o  cantil e vai fazer a trilha. A subida é um tanto íngreme, um morro meio barranco por cima do terreiro da pousada. Mas a estrada velha está ali, perceptível. Cresce bastante mato mas o caminho é nítido. Caian começa a caminhar.

E no caminho, em silêncio vai ouvindo: sabiás cantando, sanhaços e vários outros passarinhos cujo nome não sabe, e cujo canto não associa a imagem alguma. Ouve micos assobiarem. Gaviões cruzarem o céu, ora branco, ora azul. Nas bordas da estrada antiga árvores já grandes percorrem sua jornada em direção ao céu. Umas já estão bem adiantadas. Ás vezes barulho de água. Caian para, quer saber de onde vem. "cachoeira será? tá frio ainda, andar mais um pouco"

E numa das curvas da estrada, se é que ainda podíamos chamar aquela trilha cada vez mais fechada de estrada, a floresta se apresenta. Volumosa, sobre a estrada, subindo morro acima, como se projetasse uma sombra verde por cima do caminho e dos olhos de caian. Árvores enormes, palmeiras, muito verde. E discretamente, mas sem passar pelos olhos argutos do observador, duas filas de árvores, paralelas, destoam do resto da paisagem. Em meio à mata atlântica, vários pinheiros enfileirados, apontando feito lanças para o céu. Seguindo a curva do morro, sem descer como a estrada velha faz. "caminho pra algum lugar" foi o que pensou caian.

E foi pelos pés dos pinheiros, até encontrar uma clareira no mato quase alto. As fundações da casa. O sol saindo entre nuvens pra pintar de amarelo o chão da clareira. Enquanto assistia meio embasbacado a dança dos raios solares varando o verde orvalhado da mata crescida, os olhos de caian se fixam num ponto na ruína. Brilhou dourado. "eu hein"

Foi na direção do brilho. Acocorou-se sobre a fundação da casa, esticou o braço e apanhou o objeto. Não acreditou. Pesado, maltratado pelo tempo, mas meio lavado pela chuva que caíra nos dias anteriores, um moedão de ouro! Pesado, com uma cruz e quatro "M"´s em cada canto, impressos em um dos lados. "puta que pariu, um dobrão de ouro!" "mas peraí... dobrões de ouro são anteriores à vinda dos imigrantes..."