um pouquinho de cultura, um pouquinho de política, um pouquinho de surf. (quase) tudo capixaba!
terça-feira, 10 de maio de 2011
segunda-feira, 9 de maio de 2011
mar gigante
Acorda, bebe café e alonga.
encontra os brothers, ouve um som, vai instigando.
chega na praia, pé na areia, horizonte
abaixa a cabeça, toca os pés, alonga
pula, pula, esquenta
bate os braços, não voa, não inventa
saúda o sol, com o corpo e a mente
por que sol mesmo não aparece
amarra o strep, segura a prancha
corre pra água mas não esquece
se benze uma duas três vezes
proteção nunca é demais
quando se enfrenta um mundo desses...
espera a onda, corre, voa na espuma
aterrisa suave, a água é gelada, a prancha geme
rema rema fura onda
respira
rema rema fura onda
respira
tudo azul, depois tudo branco
muralhas móveis vindo de todos os lados
procurando entre elas um canal, um espaço
pra passar tranquilo sem cansar tanto seu braço
rema rema fura onda
respira
rema rema fura onda
respira
ofegante até o outside!
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Membros da magistratura estadual e Ministério Público gozam de regalias até no Banestes
matéria retirada da edição de 5 de maio de 2011 do site seculodiario.com.br
por Nerter Samora:
Os documentos revelam que, na época da concessão da regalia – em dezembro de 2007 –, os membros do Ministério Público buscavam o tratamento diferenciado que já era dispensado aos membros da magistratura estadual. Os ofícios foram assinados pelo então presidente da AESMP, promotor Almiro Gonçalves da Rocha, e o diretor comercial do Banestes na época, Otacílio Pedrinha de Azevedo.
por Nerter Samora:
"Além de orçamentos em constante expansão durante os anos do governo Paulo Hartung, os membros do Judiciário e do Ministério Público receberam outras formas de incentivo. Principais parceiros no festejado “arranjo institucional” do ex-governador, foram agraciados com benefícios financeiros também no Banestes. Diferentemente da realidade da grande maioria dos servidores estaduais, os membros da magistratura estadual e do órgão ministerial gozam de privilégios bancários até então inéditos.
Desde o final de 2007, a classe dos juízes, desembargadores, promotores e procuradores de Justiça é isenta do pagamento de taxas bancárias, por tempo indeterminado, bem como paga taxas muito abaixo do mercado no cheque especial e na obtenção de crédito. A situação é revelada em ofícios obtidos com exclusividade pela reportagem de Século Diário, os quais demonstram o teor das conversações entre as cúpulas da Associação Espírito-Santense do Ministério Público (AESMP) e do banco estatal para a concessão dos benefícios.
O primeiro contato foi aberto pela entidade de classe que solicitou o mesmo tratamento concedido a juízes e desembargadores, item que havia sido defendido como “promessa de campanha”. Prontamente respondido pelo então diretor do banco, que no dia 28 de novembro de 2007 informou a análise e deferimento do que chamou de “condições especiais” em produtos e serviços.
Na oportunidade, o banco passou a adotar os mesmos critérios diferenciados aos mais altos membros dos órgãos estaduais ligados à Justiça. Segundo o acordo, os associados da AESMP teriam “isenção total e por tempo indeterminado” em todas as tarifas que poderiam incidir na conta corrente, além de descontos – muito abaixo de mercado – na tabela do cheque confiança (modalidade de cheque especial do banco) e na obtenção de créditos com desconto em folha de pagamento.
De acordo com valores obtidos no site do Banestes, cada membro do Judiciário deixa de pagar, no mínimo, uma soma de R$ 400,00 anuais apenas de manutenção das contas correntes – sem contar os serviços que não são cobrados. Estes variam entre centavos e milhares de reais. No entanto, os maiores privilégios estão relacionados à política de juros em operações de crédito, sobretudo quando comparadas ao tratamento oferecido aos demais servidores públicos do Estado.
Pelo acordo, os membros do TJ e MP têm a concessão de 39% de desconto na tabela de cheque especial. Na época, Pedrinha chegou a exemplificar: enquanto a tabela vigente de juros era de 7,95% a.m. (juros ao mês), a taxa especial ficava em 4,85% a.m. – contudo, a taxa poderia ser ainda reduzida até 2,39% a.m., condição que destoa do que é oferecido aos demais correntistas, uma diferença de 70% entre taxas.
Outra condição especial oferecida aos promotores e procuradores de Justiça, ressaltada por Pedrinha, foi a diferenciação na taxa de juros na modalidade “Crédito sob garantia de Desconto em Folha de Pagamento” – que já eram iguais as do Tribunal de Justiça. Nas operações de até 72 meses, as taxas são de 1,5% a.m., enquanto a mesma taxa para os demais servidores públicos estaduais é de 4,7 % a.m. – tipo de operação oferecida com exclusividade pelo banco estatal capixaba.
Relações mais que institucionais
Durante os dois mandatos do governo Paulo Hartung, os órgãos do Judiciário aparecem com destaque na partilha do orçamento. No período, o duodécimo do Tribunal de Justiça sofreu um reajuste de 116%, partindo de R$ 286 milhões em 2002, enquanto o Ministério Público foi o principal beneficiado, com uma alta de 184%, saindo de pouco mais de R$ 82 milhões antes da chegada de Hartung ao palácio Anchieta.
Atualmente, o orçamento do Tribunal de Justiça para este ano é de R$ 619 milhões. No caso do Ministério Público, a dotação orçamentária inicial era de R$ 233 milhões, porém, por força de crédito suplementar pelo governador Renato Casagrande, o caixa do MP foi reforçado com mais R$ 8,5 milhões."
O primeiro contato foi aberto pela entidade de classe que solicitou o mesmo tratamento concedido a juízes e desembargadores, item que havia sido defendido como “promessa de campanha”. Prontamente respondido pelo então diretor do banco, que no dia 28 de novembro de 2007 informou a análise e deferimento do que chamou de “condições especiais” em produtos e serviços.
Na oportunidade, o banco passou a adotar os mesmos critérios diferenciados aos mais altos membros dos órgãos estaduais ligados à Justiça. Segundo o acordo, os associados da AESMP teriam “isenção total e por tempo indeterminado” em todas as tarifas que poderiam incidir na conta corrente, além de descontos – muito abaixo de mercado – na tabela do cheque confiança (modalidade de cheque especial do banco) e na obtenção de créditos com desconto em folha de pagamento.
De acordo com valores obtidos no site do Banestes, cada membro do Judiciário deixa de pagar, no mínimo, uma soma de R$ 400,00 anuais apenas de manutenção das contas correntes – sem contar os serviços que não são cobrados. Estes variam entre centavos e milhares de reais. No entanto, os maiores privilégios estão relacionados à política de juros em operações de crédito, sobretudo quando comparadas ao tratamento oferecido aos demais servidores públicos do Estado.
Pelo acordo, os membros do TJ e MP têm a concessão de 39% de desconto na tabela de cheque especial. Na época, Pedrinha chegou a exemplificar: enquanto a tabela vigente de juros era de 7,95% a.m. (juros ao mês), a taxa especial ficava em 4,85% a.m. – contudo, a taxa poderia ser ainda reduzida até 2,39% a.m., condição que destoa do que é oferecido aos demais correntistas, uma diferença de 70% entre taxas.
Outra condição especial oferecida aos promotores e procuradores de Justiça, ressaltada por Pedrinha, foi a diferenciação na taxa de juros na modalidade “Crédito sob garantia de Desconto em Folha de Pagamento” – que já eram iguais as do Tribunal de Justiça. Nas operações de até 72 meses, as taxas são de 1,5% a.m., enquanto a mesma taxa para os demais servidores públicos estaduais é de 4,7 % a.m. – tipo de operação oferecida com exclusividade pelo banco estatal capixaba.
Relações mais que institucionais
Durante os dois mandatos do governo Paulo Hartung, os órgãos do Judiciário aparecem com destaque na partilha do orçamento. No período, o duodécimo do Tribunal de Justiça sofreu um reajuste de 116%, partindo de R$ 286 milhões em 2002, enquanto o Ministério Público foi o principal beneficiado, com uma alta de 184%, saindo de pouco mais de R$ 82 milhões antes da chegada de Hartung ao palácio Anchieta.
Atualmente, o orçamento do Tribunal de Justiça para este ano é de R$ 619 milhões. No caso do Ministério Público, a dotação orçamentária inicial era de R$ 233 milhões, porém, por força de crédito suplementar pelo governador Renato Casagrande, o caixa do MP foi reforçado com mais R$ 8,5 milhões."
domingo, 1 de maio de 2011
amanhã jamais
e se a cada toque dado, um brilho aparecesse.
e como um midas aurático, luz dourada espalhasse por aí - onde tocasse...
mas cada peça caída, é um algo a mais na dívida.
nada é de graça, tudo tem um preço a ser cobrado.
aquilo que agente pensa como bem, inspira também muito medo.
é o costume de ser pela metade, é não prezar pelo copo meio cheio.
sempre meio vazio.
de nada vale a luz da lua, de nada vale tanto ver o sol se por.
a maquininha registradora, implantada no interior dagente, tá sempre contanto.
o que me soma, o que me subtrai. meu ego a quantas anda? praonde isso tudo vai?
e aí se embota, estrela, céu, mar e horizonte.
o que cabe nessa conta é só aquilo que vale no mundo dos homens.
quer saber:
amanhã? jamais.
só no hoje existe felicidade.
e como um midas aurático, luz dourada espalhasse por aí - onde tocasse...
mas cada peça caída, é um algo a mais na dívida.
nada é de graça, tudo tem um preço a ser cobrado.
aquilo que agente pensa como bem, inspira também muito medo.
é o costume de ser pela metade, é não prezar pelo copo meio cheio.
sempre meio vazio.
de nada vale a luz da lua, de nada vale tanto ver o sol se por.
a maquininha registradora, implantada no interior dagente, tá sempre contanto.
o que me soma, o que me subtrai. meu ego a quantas anda? praonde isso tudo vai?
e aí se embota, estrela, céu, mar e horizonte.
o que cabe nessa conta é só aquilo que vale no mundo dos homens.
quer saber:
amanhã? jamais.
só no hoje existe felicidade.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Sobre o que Motiva o Surf ou "Porque é que esses malucos tão na água nesse frio."
Aí acordou cedo, celular despertou era seis. Meia horinha a mais, na cota da soneca, função mais famosa dos celulares por aí. Botou a cara pra fora janela, e lá fora tudo cinza. Chuva caindo grossa, árvore balançando de vento, e a expectativa do menino? Alta.
Vento sul soprando há três, tempestade rolando pelo segundo dia.
Só por segurança, o confere da internet. Só por segurança nada, swelzinho rastreado há mais de uma semana, quando apareceu nos gráficos os traços amarelos. No check diário, poucas ou nenhuma foto. Nem os fotógrafos animaram sair pra registrar, no seu ofício diário, as condições do mar que rolam aqui no estado.
Aí conta com a familiaridade, afinal de contas já conhece a praia de casa desde a mais tenra idade, quando começou a se arriscar nesse passatempo deveras ingrato de andar pelas águas. Hoje ele ia pegar onda, e na frente de casa.
Já bota um misto pra esquentar e prepara aquela caneca servida de café. No pc escolhe aquela trilha sonora instigante pra terminar de acordar. Pra não pegar pesado com a cabeça e com os ouvidos, Novos Baianos. Dê um Rolê. "Não se preocupe pessoa... se eu te disser que a vida é boa!"
Daí pra frente esquentando, aquele surf music na hora de aquecer e alongar. Até porque não dá pra sair cru debaixo das cobertas direto pra rua. Chuva. Vento. Tudo muito. Retrofoguetes, boa pedida!
Pega a pranchinha no quarto, despede do cachorro, gira a maçaneta e sai do apartamento. Busca o camelinho... Tipo um sonho de local, sonho não, porque realmente é local dali mesmo. Mesma rua, mesmo prédio, desde a data do nascimento. Mas em volta, tudo mudado. Um milhão de outros prédios erguidos num mesmo tanto de terrenos baldios, abandonados. Uns eram até campinhos improvisados, muita gente cresceu se divertindo num desses por aqui. Até o surfista, não tão fã de futebol...
Até o crowd anda meio mudado, embora alguns rostos familiares sempre compareçam no outside. É um bairro na capital do estado, mas é um bairro de surfistas. Se pá o maior crowd do estado.
Enfim, uma vez na rua, apoiado no meio fio. Uma mão no guidão da bike, outra segurando firme a parceira de tantas horas difíceis e felizes... Partiu na manhã fria. Começando a chocar...
Bicicleta sem freio, engarrafamento na mesma rua em que cresceu, que viu asfaltar. Fila de carros no sinal, sem espaço nenhum na pista pra passar. A saída pela esquerda já brilha dois faróis acesos (faróis acesos, mas é de manhã?) bloqueando a rota de fuga. Sorte que chove, dói muito menos freiar com a ponta dos dedinhos do pé no asfalto molhado.
Se tivesse seco ia ser foda.
Para, encosta no meio fio. Espera o trânsito passar, pega a rota da esquerda. Sem condições enfrentar avenidas numa manhã chuvosa como essa. Já é cheio de meia roda, quando chove então... Só sai eles de carro. Ruas todas empoçadas, geral encapuzado, indo trabalhar. E vai o cara, sem camisa, no tempo. O povo do guarda chuva olha meio que se perguntando... "Quem é esse maluco?"
E pelo bairro, mais engarrafamento. Como é que pode algo mudar tanto com o tempo. O caminho pra praia, todo mudado... Várias casas demolidas, cada vez mais prédios no horizonte. Chegando na praia o trânsito pra variar, todo engarrafado. Observando bem, não dá pra deixar de notar. Veículo individual, o tal do carro. Lotação máxima, um passageiro.
E vai passando entre os carros, nem faz tanta diferença o sinal fechado ou aberto. Tudo parado. Atravessa aquele último obstáculo e encosta na orla. Pela ciclovia, vento contra e o mar? Nem tava tão bom. Só uma cabeça na água, mas o suficiente pra animar o surfista. Afinal de contas, já acordou cedo, já tava molhado mesmo, e querendo ou não o balde de café fez efeito, bateu.
Deixou a bike no píer, foi andando entre as pedras, furar onda praquê? E caiu. Dividindo o outside só com mais um maluco, e uma tartaruga que, vez por outra botava a cara pra fora d´água, vai ver pra conferir... "O que esses dois doidos tão fazendo aqui, nesse frio todo?"
Ventro frio, chuva grossa. E a água surpreendentemente quente. Mar mexido, ondas balançadas. O fundo não recebeu tão bem essa ondulação que tava chegando. Até porque rolando a maior ventaca. Num furacão desses, difícil achar ondas lisinhas. E querendo ou não, todo processo de urbanização, aliado ao complexo siderúrgico portuário, corta ali nove décimos do potencial do pico. O consolo? Geral ali na avenida, preso no engarrafamento.
Valeu o dia do surfista, o peito se encheu de gratidão. Valeu nuvens cinzas, valeu chuva, valeu marzinho pela recepção morna nesse dia gelado. Saldo do dia, uma direitinha e uma esquerdinha surfáveis. A esquerda de surpresa, e, goofy que era, encaixou no lugar certo a batidinha mirada no bottom curto. Fez o surf do dia.
Depois de outra, mais extensa e cheinha, sem manobras mas como um caminho tranquilo, de traços fluidos, até a saída do mar, resolveu sair. O crowd aumentou e se já não é tão divertido surfar merrecas, tampouco é a perspectiva de tê-las que dividir com mais gente .
Corridinha até a bike, e o pedal de volta pra casa. Agora vento a favor, pranchinha funcionando feito vela. Pedalando sem as mãos, com aquele orgulho de local do pico. Pelo meio da manhã volta o maluco todo encharcado com um sorriso estranho no rosto. Ônibus, carros, caminhões e ambulâncias no caminho pra casa. Tá valendo, já se lavou na água salgada.
Chegando em casa, um banhozinho quente. Já agasalhado, providencia um rango leve. Entra na internet e o brother logo avisa... Aí, lá pro sul, condições épicas!! Será ..?
Vento sul soprando há três, tempestade rolando pelo segundo dia.
Só por segurança, o confere da internet. Só por segurança nada, swelzinho rastreado há mais de uma semana, quando apareceu nos gráficos os traços amarelos. No check diário, poucas ou nenhuma foto. Nem os fotógrafos animaram sair pra registrar, no seu ofício diário, as condições do mar que rolam aqui no estado.
Aí conta com a familiaridade, afinal de contas já conhece a praia de casa desde a mais tenra idade, quando começou a se arriscar nesse passatempo deveras ingrato de andar pelas águas. Hoje ele ia pegar onda, e na frente de casa.
Já bota um misto pra esquentar e prepara aquela caneca servida de café. No pc escolhe aquela trilha sonora instigante pra terminar de acordar. Pra não pegar pesado com a cabeça e com os ouvidos, Novos Baianos. Dê um Rolê. "Não se preocupe pessoa... se eu te disser que a vida é boa!"
Daí pra frente esquentando, aquele surf music na hora de aquecer e alongar. Até porque não dá pra sair cru debaixo das cobertas direto pra rua. Chuva. Vento. Tudo muito. Retrofoguetes, boa pedida!
Pega a pranchinha no quarto, despede do cachorro, gira a maçaneta e sai do apartamento. Busca o camelinho... Tipo um sonho de local, sonho não, porque realmente é local dali mesmo. Mesma rua, mesmo prédio, desde a data do nascimento. Mas em volta, tudo mudado. Um milhão de outros prédios erguidos num mesmo tanto de terrenos baldios, abandonados. Uns eram até campinhos improvisados, muita gente cresceu se divertindo num desses por aqui. Até o surfista, não tão fã de futebol...
Até o crowd anda meio mudado, embora alguns rostos familiares sempre compareçam no outside. É um bairro na capital do estado, mas é um bairro de surfistas. Se pá o maior crowd do estado.
Enfim, uma vez na rua, apoiado no meio fio. Uma mão no guidão da bike, outra segurando firme a parceira de tantas horas difíceis e felizes... Partiu na manhã fria. Começando a chocar...
Bicicleta sem freio, engarrafamento na mesma rua em que cresceu, que viu asfaltar. Fila de carros no sinal, sem espaço nenhum na pista pra passar. A saída pela esquerda já brilha dois faróis acesos (faróis acesos, mas é de manhã?) bloqueando a rota de fuga. Sorte que chove, dói muito menos freiar com a ponta dos dedinhos do pé no asfalto molhado.
Se tivesse seco ia ser foda.
Para, encosta no meio fio. Espera o trânsito passar, pega a rota da esquerda. Sem condições enfrentar avenidas numa manhã chuvosa como essa. Já é cheio de meia roda, quando chove então... Só sai eles de carro. Ruas todas empoçadas, geral encapuzado, indo trabalhar. E vai o cara, sem camisa, no tempo. O povo do guarda chuva olha meio que se perguntando... "Quem é esse maluco?"
E pelo bairro, mais engarrafamento. Como é que pode algo mudar tanto com o tempo. O caminho pra praia, todo mudado... Várias casas demolidas, cada vez mais prédios no horizonte. Chegando na praia o trânsito pra variar, todo engarrafado. Observando bem, não dá pra deixar de notar. Veículo individual, o tal do carro. Lotação máxima, um passageiro.
E vai passando entre os carros, nem faz tanta diferença o sinal fechado ou aberto. Tudo parado. Atravessa aquele último obstáculo e encosta na orla. Pela ciclovia, vento contra e o mar? Nem tava tão bom. Só uma cabeça na água, mas o suficiente pra animar o surfista. Afinal de contas, já acordou cedo, já tava molhado mesmo, e querendo ou não o balde de café fez efeito, bateu.
Deixou a bike no píer, foi andando entre as pedras, furar onda praquê? E caiu. Dividindo o outside só com mais um maluco, e uma tartaruga que, vez por outra botava a cara pra fora d´água, vai ver pra conferir... "O que esses dois doidos tão fazendo aqui, nesse frio todo?"
Ventro frio, chuva grossa. E a água surpreendentemente quente. Mar mexido, ondas balançadas. O fundo não recebeu tão bem essa ondulação que tava chegando. Até porque rolando a maior ventaca. Num furacão desses, difícil achar ondas lisinhas. E querendo ou não, todo processo de urbanização, aliado ao complexo siderúrgico portuário, corta ali nove décimos do potencial do pico. O consolo? Geral ali na avenida, preso no engarrafamento.
Valeu o dia do surfista, o peito se encheu de gratidão. Valeu nuvens cinzas, valeu chuva, valeu marzinho pela recepção morna nesse dia gelado. Saldo do dia, uma direitinha e uma esquerdinha surfáveis. A esquerda de surpresa, e, goofy que era, encaixou no lugar certo a batidinha mirada no bottom curto. Fez o surf do dia.
Depois de outra, mais extensa e cheinha, sem manobras mas como um caminho tranquilo, de traços fluidos, até a saída do mar, resolveu sair. O crowd aumentou e se já não é tão divertido surfar merrecas, tampouco é a perspectiva de tê-las que dividir com mais gente .
Corridinha até a bike, e o pedal de volta pra casa. Agora vento a favor, pranchinha funcionando feito vela. Pedalando sem as mãos, com aquele orgulho de local do pico. Pelo meio da manhã volta o maluco todo encharcado com um sorriso estranho no rosto. Ônibus, carros, caminhões e ambulâncias no caminho pra casa. Tá valendo, já se lavou na água salgada.
Chegando em casa, um banhozinho quente. Já agasalhado, providencia um rango leve. Entra na internet e o brother logo avisa... Aí, lá pro sul, condições épicas!! Será ..?
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