quarta-feira, 6 de abril de 2011

devaneios de quarta

numa quarta quente, de vento sul inconsistente, cá to eu denovo - reclamando do calor.

é um turbilhão de pensamentos dando volta na minha mente, que sinto todo corpo esquentar.

um dia que começou cedo, remando com os brothers num marzim tranquilo, e agora se arrasta a terminar...

em algum lugar eu sei que tem quem - alguém que também sem paciência aguarda o amanhã.

que amanhã é esse, que nunca chega? que pensamentos são esses que mantém cheia

minha mente inconsistente?

remoendo um passado que não existe mais.

por agora só esse ventim caô, fingindo vir do sul mas trazendo um puta clima da baêa.

e o real, que é? nem ontem nem amanhã. 

é só o calor.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Stirt it Up

Aí saiu, e foi na chuva mesmo.
Não tomou nem conhecimento da água que caía: sem olhar pra trás, botou a mochila nas costas e disse tchau. Todo encapuzado calça comprida e bota no pé, carregando aquele trambolho guardado dentro da capa preta.
Vai entender né. Enquanto todos dormem, sorrateiro na madrugada fria, vai um cara sonhando a pé pelas ruas vazias do bairro.
Para no ponto, pega o primeiro ônibus. Rodoviária.
"-Ei motô, abre a porta lá atrás fazendo o favor!"
Deita a prancha no chão, recostada na mochila. Tira o casaco molhado, vai até o trocador paga a passagem e roda a roleta. Da janela vai vendo sua cidade passar.
Rodoviária. Bilhete conferido, hora certa.
Com cuidado, guarda a bagagem que é pouca mas impressiona. Uma mochila gigante de cheia, e uma prancha na capa preta acolchoada. Entrega a passagem ao conferente, se acomoda na sua poltrona.
Tira o celular, ajeita os fones no ouvido. Toca uma música.
Pra embalar a viagem e fechar os olhos, pra querer dormir e só acordar quando chegar.
Todo mundo que entra no ônibus vê, o moço dos olhos fechados e sorriso no rosto. Ninguém ouve, mas pra ele tá tocando aquele som... 

segunda-feira, 21 de março de 2011

Três Luas

Vi nascer no céu e contei por quase três vezes seguidas a lua nascer cheia no mar e minguar logo em seguida.

E descobri que na pele branca de mulher a lua brilha como brilha na beira da praia.

mas praia de areia branca é raro. e mulher não é feito praia, praia areia.

mulher é feito praia mar. praia água, na lua cheia

meio caminho, meio perdição.

desses mistérios que não se decifram.

Vida - Mestre Ambrósio


Embora a vida
não me trate com amor,
eu não me canso de viver,
não me canso de querer
ser da vida vivedor!

Mas, cada um
fia seu caminho ...

Cada qual 
saiba do mal,
todo alguém
caiba no bem !

Vem,
tem quem fugindo dela
ache ela bem má ...

Sê quem siga
a vê-la bela
e com ela vá !

Agora a vida diz :
“me trate com valor,
que eu não me canso de viver,
não descanso de querer
ser a vida, vivedor!"

sexta-feira, 4 de março de 2011

As Trinta e Sete Práticas de um Bodhisattva

Namo Lokeshvara

Ininterruptamente, em ardorosa homenagem de corpo, fala e mente, inclino-me diante dos mestres supremos e do protetor Avalokiteshvara, que, cientes de que nada tem ida ou volta, trabalham unicamente para o bem de todos os seres.

Os buddhas perfeitos, fonte de todo o bem e de toda a felicidade, surgem da realização do Dharma sagrado. Doutrina. Como isto vem do conhecimento do seu exercício, passo a explicar as práticas de um bodhisattva.
[1] Tendo obtido o livre e bem favorecido nascimento humano,
Tão difícil de vir e tão poderoso,
Perseverando firmemente, noite e dia,
Para liberar a si e aos outros do oceano do samsara —
Ouvir, contemplar e meditar
É a prática de um bodhisattva.


[2] Diante dos amigos, apego como água turbulenta;
Diante dos inimigos, ódio como o fogo raivoso;
Obscurecidos pela ignorância, esquecemos o que deve
E o que não deve ser feito —
Deixar para trás a terra natal
É a prática de um bodhisattva.


[3] Quando as más circunstâncias são deixadas para trás,
As emoções e crenças obscuras diminuem gradualmente.
Sem distrações, a persistência diante da virtude aumenta naturalmente.
À medida que a consciência se esclarece, surge a certeza no Dharma —
Passar o tempo em solidão
É a prática de um bodhisattva.


[4] Durante a morte, a consciência visitante deixa o corpo para trás,
Como um hóspede deixando uma pensão,
Deixando para trás as pessoas amadas com quem ficamos por muito tempo,
Deixando para trás a riqueza ganha através do esforço.
Assim, abandonar as preocupações desta vida
É a prática de um bodhisattva.


[5] As pessoas com quem você está,
Que aumentam os três venenos,
Que enfraquecem as práticas do ouvir, contemplar e meditar,
Que minam a bondade amorosa e a compaixão —
Abandonar as más amizades
É a prática de um bodhisattva.


[6] Aqueles de quem você depende, que colocam fim aos vícios,
Que fazem aumentar as boas qualidades, como a lua crescente —
Manter estes amigos espirituais
Como sendo mais preciosos
Do que o seu próprio corpo
É a prática de um bodhisattva.


[7] A quem os deuses mundanos podem ajudar
Se eles mesmos estão confinados na prisão do samsara?
Assim, quando você procurar ajuda,
Tomar o refúgio genuíno nas Três Jóias
É a prática de um bodhisattva.


[8] O Buddha disse,
"O resultado das ações negativas
É o sofrimento dos reinos inferiores, tão difícil de suportar."
Portanto, não cometer atos ruins
Mesmo ao custo da própria vida
É a prática de um bodhisattva.


[9] A felicidade dos três mundos
É como o orvalho sobre uma folha de grama,
Que desaparece em um instante.
Esforçar-se pelo estado supremo —
A liberação que nunca muda —
É a prática de um bodhisattva.


[10] De que adianta a felicidade pessoal
Se cada mãe, que foi tão afetuosa com você
Desde um tempo sem início, está sofrendo?
Assim, para liberar um infinito número de seres sencientes,
Gerar a mente da iluminação
É a prática de um bodhisattva.


[11] Sem exceção, todo sofrimento vem
De querer felicidade apenas para si mesmo;
Os buddhas perfeitos são nascidos da aspiração de beneficiar os outros.
Assim, trocar verdadeiramente a própria felicidade
Pelo sofrimento dos outros
É a prática de um bodhisattva.


[12] Mesmo se alguém de grande cobiça
Roubar toda a sua riqueza, ou se alguém a roubou,
Dedicar ao ladrão o seu corpo,
Suas alegrias e seu mérito —
Passados, presentes e futuros —
É a prática de um bodhisattva.


[13] Mesmo se alguém cortar fora a sua cabeça,
Sem você nada ter feito de errado,
Tomar as negatividades daquela pessoa
Através do poder da compaixão
É a prática de um bodhisattva.


[14] Mesmo se alguém difamá-lo
Pela extensão de um bilhão de universos,
Falar das boas qualidades daquela pessoa
Com uma mente cuidadosa
É a prática de um bodhisattva.


[15] Mesmo se alguém insultá-lo no meio de uma multidão,
Apontando suas falhas escondidas —
Reverenciá-lo respeitosamente,
Vendo aquela pessoa como um amigo espiritual,
É a prática de um bodhisattva.


[16] Mesmo se alguém que você cuidou
Como se fosse o seu próprio filho
Considerá-lo como um inimigo —
Ser especialmente afetivo diante dele,
Como uma mãe cujo filho está doente,
É a prática de um bodhisattva.


[17] Mesmo se alguém, igual ou inferior a você,
Tratá-lo com desprezo e arrogância —
Colocá-lo respeitosamente acima de você,
Como você faria com seu professor,
É a prática de um bodhisattva.


[18] Mesmo que você esteja sem dinheiro,
Desprezado continuamente pelos homens,
Terrivelmente doente, golpeado pelas forças maléficas —
Tomar para si mesmo todos os atos ruins
E sofrimentos dos outros, sem perder a afeição,
É a prática de um bodhisattva.
[19] Mesmo sendo bem conhecido e respeitado,
Tão rico quanto Vaishravana —
Tendo visto que a riqueza e glória mundanas são sem essência,
Estar livre da arrogância
É a prática de um bodhisattva.


[20] Enquanto o inimigo interior, o próprio ódio, permanecer descontrolado,
Tentar subjugar os inimigos externos fará apenas aumentá-los ainda mais.
Portanto, domar o próprio fluxo mental
Com as forças da bondade amorosa e da compaixão
É a prática de um bodhisattva.


[21] O desejo é como beber água salgada —
Quanto mais você deixa, mais o apego aumenta.
Deixar ir imediatamente tudo o que faz surgir o apego
É prática de um bodhisattva.


[22] Os fenômenos aparentes, todos eles,
São fabricações da mente;
A natureza inata da mente
É separada das fabricações da mente.
Tendo visto isso, não se envolver com a percepção dualista
Ao ver coisas belas,

[23] Abster-se do apego ao ver os objetos
Como sendo tão amáveis e irreais
Quanto os arco-íris de verão,
É a prática de um bodhisattva.


[24] Tomar as aparências ilusórias como sendo reais
É tão exaustivo quanto ver a morte do próprio filho em um sonho —
Nossos muitos sofrimentos são assim.
Deste modo, considerando como fantasias
Os acontecimentos não desejados da vida,

[25] Aqueles que querem a iluminação
Devem dar seus próprios corpos se for necessário,
Sem falar também da doação de coisas externas.
Dar generosamente — sem esperança ou recompensa,
E sem o desejo de resultados —
É a prática de um bodhisattva.


[26] Sem ética, você não poderá alcançar benefício nem mesmo para si;
Então, querer beneficiar os outros será apenas uma piada.
Portanto, manter a ética que é livre de apego a este mundo
É a prática de um bodhisattva.


[27] Tudo o que é danoso é como um tesouro de jóias
Para o bodhisattva, que deseja os prazeres da virtude.
Assim, cultivar a paciência sem ódio ou ressentimento,
Diante de qualquer um,
É a prática de um bodhisattva.


[28] Apesar dos ouvintes e realizadores solitários
Realizarem benefício para si mesmos,
Eles se esforçam como se colocassem fogo em seus cabelos.
Fazer esforços dos quais nascem
As boas qualidades que beneficiam a todos os seres
É a prática de um bodhisattva.


[29] As emoções e crenças obscuras
São completamente conquistadas pela meditação analítica,
Que foi totalmente integrada com a meditação estabilizadora.
Compreendendo isto, praticar estados meditativos estáveis,
Além dos quatro estados de absorção mental do reino sem forma,
É a prática de um bodhisattva.


[30] Já que a iluminação perfeita não pode ser obtida
Apenas com cinco perfeições, sem sabedoria,
Cultivar a sabedoria que é livre dos conceitos,
Possuidora da pureza tríplice e dos meios hábeis,
É a prática de um bodhisattva.


[31] Se você não examinar sua confusão,
Você pode se tornar um charlatão
Disfarçado como um praticante de Dharma.
Portanto, sempre examinar a própria confusão
E então deixá-la para trás
É a prática de um bodhisattva.


[32] Devido à força das emoções e crenças obscurecidas,
Falar das falhas dos bodhisattvas
Cria máculas em si mesmo.
Portanto, não falar das falhas daqueles
Que estão no grande caminho
É a prática de um bodhisattva.


[33] As atividades do ouvir, contemplar e meditar
Tornam-se maculadas quando discutimos sobre bens e serviços.
Deixar o apego aos lares de amigos e benfeitores
É a prática de um bodhisattva.


[34] Ao falar de maneira rude,
A conduta de um bodhisattva torna-se maculada
E os outros seres sencientes são perturbados.
Portanto, abandonar as palavras rudes
E desagradáveis às mentes dos outros
É a prática de um bodhisattva.


[35] Uma vez acostumado aos estados densos e crenças primitivas
E habituado às emoções obscuras,
É difícil de revertê-las com antídotos.
Portanto, brandindo a arma da atenção,
Conquistar os estados mentais obscuros imediatamente quando surgirem
É a prática de um bodhisattva.


[36] Em resumo:
O que quer que você faça, em qualquer lugar onde esteja,
Olhe para o seu estado mental.
Manter continuamente a consciência atenta
Para realizar benefício aos outros
É a prática de um bodhisattva.


[37] Dedicar o mérito realizado pelos seus esforços
Para superar o sofrimento
De todos os seres sencientes —
Através da sabedoria completamente pura,
Livre dos conceitos de doador, recebedor e doado —
É a prática de um bodhisattva.
Para aqueles que desejam treinar no caminho do bodhisattva,
Apresentei estas

Porém, já que é difícil para uma pessoa de baixo intelecto, como eu,
Compreender em profundidade a vasta conduta dos bodhisattvas,
Peço a paciência dos seres sagrados
Com quaisquer erros da lógica escrita, e assim por diante.

Por este mérito, possam todos os seres sencientes,
Através da suprema bodhichitta absoluta e relativa,
Se tornar como o senhor Avalokiteshvara,
Que está além dos extremos do nirvana e do samsara.

Isto foi composto na caverna de jóias
Em Ngülchu, por Tsungpa Thogme
[Ngülchu Gyalse Thogme Zangpo, 1295-1369],
Que ensina as escrituras e raciocínios autênticos
Para beneficiar a si e aos seres sencientes.
Trinta e Sete Práticas de um Bodhisattva,
Baseadas no significado relatado nos sutras, tantras e shastras,
De acordo com as palavras dos seres sagrados.